Revival

Em 2006 eu estava no interior trabalhando. Meu filho tinha 1 aninho e pouco, e juntando todo o período de gravidez, já tinha dois anos que eu não fazia sexo. Lá mesmo, num feriado de setembro, minha mão foi com minha irmã prá minha casa e nós saímos uma noite. Fiquei com um menino que era da cidade, mas que morava em Vitória, estava lá visitando a família.

Bom, lá na roça não tinha tanto perigo, então a gente se desbundou de sarrar dentro do carro (com minha irmão da frente, dirigindo, kkkkkkk!). Depois, em Vitória, nos encontramos outras vezes e o rapaz, guerreiro, quebrou o jejum da Solteira aqui.

Durante um bom tempo a gente ainda se viu, mas a correria do dia-a-dia acabou por nos afastar.

Não faz muito tempo nos reencontramos, até comentei o episódio lá no Pérolas, porque o bonito tava com outra mulher e me futucando – odeeeeiiiioooo isso.

Pois não é que hoje, pelo msn, ele puxou assunto, acabou me ligando e pedindo um zilhão de desculpas? Que estava querendo me ver, que tinha me procurado, que sabia que a culpa tinha sido dele, que aquele dia ele tinha sido um otário e estragado tudo… Perguntou se eu estava namorando, se a gente podia se ver, ele queria tanto…

Achei até fofinho! Falei prá ele que a gente marca um dia desses, pega um cineminha, vamos ver o que rola. Achei tããão bonitinho a vozinha alegre dele no telefone!

Ainda me ofereceu ajuda prá comprar os remédios dos meus pais – ele trabalha com farmácias – e exigiu que eu passasse a lista de tudo o que eu precisava. Falou até que compraria com descontos extras pelo plano de saúde da mãe dele!

Até esqueci que a criança está 8 aninhos atrás de mim… E eu vou bem confessar: ele é uma gostosura!

Hahahahaha, nada como reviver os velhos tempos!

E eu continuo solteira na ilha…

Não pode não!

Ontem eu e minha amiga Aba fomos ao TurkZoo, barzinho supergostoso. Música ao vivo. Lá encontramos com a filha dela e alguns outros amigos, meu irmão se juntou a nós depois do trabalho.

Me diverti pacas, mas não sei se é a época do mês, só dva casalzinho se beijando. Porra, prá quem tá numa seca danada, ficar olhando isso é castigo.

Tinha um casal na mesa à frente à nossa que parecia adolescente em começo de namoro. Que melação! Juro, nem era despeito, eu já tava de saco cheio de olhar aquele povo se pegando, não dava prá saber onde terminava um e começava o outro. Mas tá bom.

Lá pelas tantas eles foram embora e, quando passaram pela gente, minha amiga comentou:

– Cara, aquela agarração toda, a mulher é a maior gorda!!!

Porra, daí subi nas minhas tamancas! Ela achou um absurdo o cara estar todo de amores com a moça gordinha. Respondi:

– Ué, os gordos também amam, né?

– Ah, não, eu quis dizer que ela nem é aquilo tudo prá tanta empolgação dele…

Aham, tá. Não tem jeito. Além de ser tachado de deselegante, feio, relazado, o gordo ainda perde o direito que se relacionar. Esse preconceito é ridículo.

Aguento com uma dessas?

Enquanto isso, no zoológico…

Estava eu no meu sagrado intervalo de 15 minutos contadinhos no plantão do pronto-atendimento quando um socorrista do SAMU puxou assunto. Aquilo lá vive cheio desse povo, é um entra e sai danado de ambulância. O tal sujeito já tinha puxado assunto antes, mas eu não tava afim e tava sem tempo. No café, ele veio com voz pastosa:

– Você é estagiária?

– Como?

– Você faz estágio aqui?

– Não, eu trabalho aqui. Já sou formada.

– Há quanto tempo? Sei lá o que isso tinha de importante prá ele, mas tudo bem

– Faz 8 anos.

– Ah, então você já é macaca velha no assunto.

Acabei de mastigar meu pão descendo as escadas de volta pro meu setor. Deixei a anta prá trás.

Ponto